Retrovisor

Por Júlia Pessôa

08/10/2017 às 06h30 - Atualizada 05/10/2017 às 16h55

Essa semana várias fotos da época de faculdade pipocaram na minha timeline do Facebook e aqueceram a linha do tempo da minha tão corrida vida. Eram tempos com menos boletos, com menos obrigações, mas também com muito, muito menos dinheiro – mas nem por isso menos felicidade, o que prova, mais uma vez, a implacabilidade da sabedoria popular.

Também na faculdade, onde me encontrei com boa parte das pessoas importantes para mim até hoje, ouvi em uma aula, não me lembro de quem, sobre o perigo do “efeito retrovisor”. De seguir em frente, mas obcecado pela imagem que reflete o que está atrás. Adoro uma nostalgia, fotos antigas que expõem tendências de modas e cabelos duvidosos, que fazem a gente reviver um momento bacana e sóbrio o suficiente para alguém dizer “vamos tirar uma foto?”. Mas é adiante que se anda, e quem realmente importa segue este rumo conosco, mesmo que com encontros cada vez mais espaçados. Meu mundo é como o de Paulinho da Viola, hoje.

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Mas eu confesso que a estrada que, nestes dias em que há censura à arte, tiroteios em massa, gente ateando fogo em criança, um desentendimento completo do que seja pedofilia – que quem dera fosse silencioso- e tanta ignorância e estupidez sendo feita e vociferada… Eu realmente não consigo tirar os olhos do retrovisor. E dá uma baita vontade de engatar uma ré.

Júlia Pessôa

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