Elementos Vazados | Cobogó

Por Aletheia Westermann

20/08/2017 às 17h37 - Atualizada 20/08/2017 às 19h18

Elementos vazados que permitem a entrada de luz solar e ventilação natural utilizado nas aberturas de construções o Cobogó traz consigo certa poesia ao projeto tornando a arquitetura uma espécie de luminária urbana que compartilha seu jogo de sombra e luz.

Zaha Hadid|Paris                                               Miami District|USA

Criado no Brasil na década de 1920 e amplamente explorado no movimento modernista brasileiro teve seu nome oriundo da junção da primeira sílaba dos sobrenomes de seus criadores, um grupo de engenheiros formado pelo português Amadeu Oliveira Coimbra, o alemão Ernesto August Boeckmann e o brasileiro Antônio de Góis. Entretanto, foi Lúcio Costa, em referências sutis à arquitetura colonial, que difundiu esse elemento compositivo presente na estética da arquitetura moderna brasileira.

Herança da cultura árabe, baseado nos Muxarabis (painéis de madeiras vazados que eram utilizados para fechar parcialmente os ambientes internos) os Cobogós, também garantem a passagem de luz e permiti a ventilação ao mesmo tempo que conferem privacidade e evitam grandes ventos.

 Muxarabi- Belém|Cisjordânia

O efeito de luz e sombra é muito bonito e o material segmenta ambientes de maneira sutil. Além disso, outra vantagem, em lugares muito quentes a incidência direta dos raios solares sobre frentes de vidro ocasionam um superaquecimento dos ambientes internos e o uso desses elementos vazados na fachada ajuda a amenizar o calor, filtram a insolação direta no local possibilitando a regulação da temperatura e um melhor conforto térmico no interior dos espaços.

 Tel Aviv|Israel

Mas, não só nas fachadas os Cobogós são aplicados. Atualmente seu uso se estende também como divisórias internas. Formando um jogo de luz e sombra bem interessante permitem a entrada de luminosidade, ventilação, leveza e personalidade aos ambientes. Porém, atenção! Não são elementos que trazem privacidade acústica. Por isso, antes de usar o produto, pense nas necessidades de cada ambiente. Ventilação permanente e iluminação natural nem sempre são vantagens.

Fachada do ed.”Gherkin” e circulação interna City Hall, Londres|UK

 

The British Museum e Estação de king’s Cross, Londres|UK

Feitos de cimento e tijolo no início passaram a ser produzidos também em cerâmica natural e esmaltada e outros distintos materiais como vidro, madeira, cerâmica e até porcelana. Hoje são encontrados em diversos modelos, cores e tamanhos e têm conquistado espaço na arquitetura atual.

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Com forte tendência mundo afora remetem a um design condizente com o nosso tempo quando apresentam padrões e desenhos inspirados na natureza, cores vibrantes ou em composições geométricas mais ousadas. Hoje, projetos contemporâneos se apropriam da forma, sublinham a função e exploram a plasticidades desses elementos vazados.

Instituto do Mundo Árabe, Paris|França

Mais sobre o assunto leia aqui: Cobogós na CasaCor 2016

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Aletheia Westermann

Aletheia Westermann

Arquiteta e urbanista formou na UFJF EM 2001. Desde então é Arquiteta diretora do escritório Alethéia Westermann Arquitetos. Entre vários trabalhos importantes trabalhou na restauração do Cine Theatro Central em JF, tem projetos desenvolvidos tanto em São Paulo e Rio de Janeiro como no exterior: Em Londres, UK e nos Estados Unidos, nos estados da Florida e Connecticut . É colunista da rádio CBN/JF no programa Morar Bem Arquitetura e Interiores, além de escrever semanalmente para o Jornal Tribuna de Minas no caderno Casa e Cia.

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